COP26 e a importância da interlocução entre os governos locais do Brasil

08/10/2021
Notícias

A crise climática é um dos maiores desafios enfrentados atualmente: alterações bruscas de temperatura, águas dos oceanos mais quentes, geleiras derretendo mais rápido que o previsto, fenômenos naturais como furacões, tempestades e ondas de calor com maior intensidade, além de problemas relacionados à mobilidade urbana e saneamento básico, que afetam diariamente o cotidiano da população.

 

Para debater e acordar novos marcos globais que orientem a atuação dos governos locais nos territórios, a próxima Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), reunirá representantes do mundo todo e de diversos setores da sociedade em Glasgow, Escócia. Entre os dias 31 de outubro e 11 de novembro de 2021, a conferência irá pautar  como as cidades podem implementar localmente ações de mitigação, adaptação, financiamento climático e colaboração que visem alcançar  a meta do acordo de Paris em manter o aumento de temperatura da Terra em no máximo 1,5º. 

 

Entre os dias 7 e 8 de outubro, a cidade de São Paulo realizou o evento “São Paulo na Pré-COP26”, que  buscou integrar e debater pautas da agenda climática com a população, além de compartilhar boas práticas de gestões locais ligadas à diminuição  dos efeitos e impactos da emergência climática nas cidades nos próximos anos. 

 

Para colocar em prática a cooperação e a transversalização das informações entre os estados brasileiros, o Fórum CB27 realizou dentro da programação do evento o painel intitulado “Capitais brasileiras buscando soluções para os desafios ambientais”. A sessão promoveu uma discussão sobre comprometimento climático e o atual protagonismo dos governos locais para criação e desenvolvimento de medidas que transformem e alcancem as agendas internacionais.

 

Lucas Padilha, chefe do Gabinete do Verde e Meio Ambiente do Rio de Janeiro, ressaltou a importância da atuação do Fórum no momento em que a pauta climática está tão fragilizada para os brasileiros. “Estamos aqui na pré-COP26, um evento que preza pela cooperação entre os governos locais de todo o mundo. Por isso, é importante dizer que o CB27 é esse espaço onde nos reunimos para compartilhar e discutir sobre a agenda climática e idealizar um Brasil em que é possível que exista uma agenda sustentável.” 

 

Antônio Ademir Stroski e Carlos Ribeiro, secretários de meio ambiente de Manaus e Recife, respectivamente, compartilharam as experiências das cidades nos últimos anos e fizeram coro à importância da articulação proporcionada pelo Fórum CB27. 

 

De acordo com o secretário Antonio Ademir Stroski, durante as duas últimas décadas, o Código Ambiental de Manaus se consolidou como instrumento central do ordenamento e da gestão ambiental do município.Stroski explicou que, durante os últimos 20 anos, importantes instrumentos legais foram publicados tratando da Política de Recursos Hídricos, Política de Resíduos Sólidos, o regramento para pagamento de serviços ambientais, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), as questões relacionadas a emergência climática e o aprimoramento das normas do monitoramento ambiental.

 

Lançado em dezembro de 2020, o Plano de Ação Climática da cidade do Recife é estratégico para o futuro da cidade por fundamentar a gestão climática para os próximos anos, abarcando os aspectos de adaptação e mitigação de forma detalhada e integrada. “O lançamento do plano pauta a atuação pioneira do Recife, que também foi a primeira cidade do Brasil a decretar estado de emergência climática e nos coloca no caminho de adaptação, para criar uma cidade que apregoa o desenvolvimento de uma economia circular como primordial”, afirmou o secretário Carlos Ribeiro.  

 

Também estiveram presentes na sessão Ana Wernke, coordenadora de Relações Institucionais e Advocacy do ICLEI Brasil e Rodrigo Ravena, chefe de gabinete da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. 

 

Vanguarda paulista na agenda climática 

 

Por meio da Secretaria Municipal de Relações Internacionais, a cidade de São Paulo integra ações e projetos internacionais em parceria com as demais pastas municipais e empresas públicas. Dialoga também com o corpo consular e embaixadas na capital paulista, organismos internacionais, redes de cidades, iniciativa privada, entidades do terceiro setor e universidades.

 

A Prefeitura de São Paulo possui diversas parcerias com organizações como o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, a C40, a Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU) e a Fundação Ellen 

 

Sobre a COP26: 

Sob o lema “Unindo o Mundo para Enfrentar as Mudanças Climáticas”, a próxima conferência tem como objetivo explicitar a importância de adotar uma economia neutra em carbono para o meio ambiente. O evento reunirá representantes de aproximadamente 200 governos de forma a asseverar o poder da cooperação da comunidade internacional em enfrentar as mudanças climáticas.